Apesar da torcida contrária do governo Bolsonaro, Biden deve ajudar – e muito – a soja brasileira

 

Apesar da velada torcida pela vitória de Donald Trump nas eleições americanas, que varreu o Brasil de Brasília aos principais núcleos da agropecuária, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, Joe Biden pode ajudar as exportações de soja à China. E muito.

O novo mandatário dos Estados Unidos, em entrevista que está no New York Times desta quarta (2), disse que não vai cancelar de imediato a fase 1 do acordo negociado por Trump, que teve a oleaginosa como protagonista beneficiária este ano.

Se não vai tomar alguma medida nessa direção nos primeiros tempos de sua presidência, como declarou, pelo menos mostra que a perspectiva existe.

Só de congelar o acordo, já é uma boa notícia para o Brasil.

Com a fase 1 em vigor, que prega importações chinesas de US$ 200 bilhões em produtos e serviços dos Estados Unidos em 2020 – sendo US$ 12,5 bilhões em compras adicionais agrícolas, segundo informes do Departamento de Comércio – as exportações brasileiras de soja já explodiram. E também do grão americano, sobretudo nos últimos dois a três meses.

O ano exportador do Brasil para a China pode alcançar 80% das mais de 86 milhões de toneladas aguardadas, 25% aproximadamente a mais que em 2019.

Imagina-se, então, sem a vigência do primeiro tempo dessas negociações em algum momento de 2021? Ou, mesmo, que o banho maria dessa guerra comercial continue, irritando Pequim?

Os embarques da soja brasileira poderiam ser até maiores do que foram este ano – assegurando a previsão de analistas que a demanda chinesa seguirá forte – e os preços em Chicago seriam mais valorizados com menor (ou igual) oferta dos Estados Unidos.

Em 2019, a China praticamente comprou pouca soja americana. Este ano, até outubro, a participação desse mercado nas exportações totais chegou a 55%, dos cerca de 44 milhões/t exportadas, com previsão de fechar o ano em quase 60 milhões, segundo o USDA.

Só não reconhece o pendão protecionista de Joe Biden, como bom Democrata que é, os contaminados pelo viés ideológico, que, vendo-o menos beligerante, mais negociador, humanitário nas questões raciais e de gênero, e próximo da defesa do meio ambiente (como bom Democrata que é), acreditavam que ele deixará o livre mercado correr solto com a China e com qualquer outro país.

fonte: moneytimes