Brasil abre 100 novos mercados externos para produtos agropecuários

 

Mesmo com os impactos da pandemia do coronavírus, a maioria dos processos de abertura foi concluída este ano, com 66 mercados

O Brasil conquistou a abertura de 100 novos mercados para produtos da agropecuária nacional desde janeiro de 2019. Segundo o ministério da Agricultura, o mais recente é exportação de suínos (reprodução) para a Colômbia.

O trabalho de abertura de mercados externos não contempla apenas a venda de produtos tradicionais dos quais o Brasil já é um grande exportador, como carnes, mas de diversos produtos da cadeia agrícola, como castanhas, chá, frutas, pescados, lácteos e plantas, atendendo ao objetivo do ministério de diversificar a pauta exportadora brasileira.

“Isso significa novas oportunidades para os produtores brasileiros que vêm trabalhando com afinco e demonstrando muita resiliência, mesmo passando por uma pandemia. Acredito muito na competência e competitividade dos nossos produtores e essas aberturas refletem a intenção do Mapa em diversificar cada vez mais nossa pauta de exportação”, destaca a ministra Tereza Cristina.

Entre as aberturas de produtos não tradicionais estão Castanha de Baru para a Coreia do Sul, mudas de coco para a Guiana, Castanha do Brasil para Arábia Saudita, milho de pipoca para Colômbia, gergelim para Índia, mudas de eucalipto para Colômbia, ovos com casca para Singapura e abacate para Argentina.

Foram abertos mercados para produtos de alto valor agregado, como material genético avícola para os Emirados Árabes Unidos e Marrocos e embriões equinos para os Estados Unidos.

Continentes
Dos 100 novos mercados, 45 são na América (Argentina, Colômbia, Peru, Estados Unidos, México, Canadá, Guiana, Equador, Venezuela, Guatemala e Bolívia); 40 na Ásia (Arábia Saudita, China, Cazaquistão, Coreia do Sul, Emirados Árabes, Índia, Japão, Malásia, Indonésia, Taiwan, Irã, Tailândia, Mianmar, Singapura e Qatar); 14 na África (Egito, Marrocos e Zâmbia) e um na Oceania (Austrália), conforme dados da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa.

Mesmo com os impactos da pandemia do coronavírus, a maioria dos processos de abertura foi concluída este ano, com 66 mercados.

Países
Os novos mercados envolvem 30 países. Isso porque algumas nações passaram a importar mais de um produto agrícola do Brasil. Cada novo mercado corresponde a exportação de um produto. Nesse sentido, houve uma ampliação significativa com os vizinhos sul-americanos, com a abertura de 17 novos produtos para a Argentina, oito para a Colômbia e seis para a Bolívia.

“Abrir um mercado é abrir uma porta. E estou certa de que trabalharemos juntos para que nossos produtores de fato passem por ela”, afirma a ministra.

Na Ásia, Singapura e Mianmar abriram sete novos mercados, cada um, para os produtos brasileiros. Na África, Egito abriu oito mercados.

Categorias por produtos
Dos 100 novos mercados, os produtos derivados de aves (carnes, miúdos e farinhas) estão entre os mais procurados, totalizando 13 aberturas, assim como 11 de bovinos, nove de plantas, oito de produtos suínos, oito de material genético bovino, sete de lácteos e cinco de frutas.

 

 

Aumento das exportações brasileiras de carne bovina em outubro

 

As exportações brasileiras de carne bovina in natura estão a todo vapor.

Em outubro, até a quarta semana, foram exportadas 130,60 mil toneladas do produto, um aumento de 5,3% na média diária na comparação com outubro de 2019, volume recorde (Secex).

Se a média diária exportada se mantiver nos patamares atuais na última semana desse mês, deveremos ter um incremento de 9,03 mil toneladas no comparativo com outubro do ano passado, resultando em um recorde na série histórica das exportações de carne bovina brasileiras.

 

 

Commodities caminham para mercado de alta em 2021, diz Goldman Sachs

 

O enfraquecimento do dólar, o aumento dos riscos de inflação e a demanda guiada pelos estímulos fiscais e monetários de importantes bancos centrais farão com que as commodities verifiquem um mercado de alta em 2021, disse nesta quinta-feira o Goldman Sachs.

O banco projetou um retorno de 28% em um período de 12 meses para o índice S&P/Goldman Sachs Commodity Index (GSCI), com um retorno de 17,9% para metais preciosos, 42,6% para a energia, 5,5% para metais industriais e um retorno negativo de 0,8% para a agricultura.

Neste momento, os mercados estão cada vez mais preocupados com a volta da inflação, afirmou o banco de Wall Street.

As políticas de expansão fiscal e monetária em economias desenvolvidas seguem empurrando as taxas de juros para baixo e criando demanda por “hedges” para os riscos de inflação, o que eleva a demanda por metais preciosos, disse o Goldman Sachs em nota.

O Goldman projetou os preços do ouro em uma média de 1.836 dólares por onça em 2020 e 2.300 dólares por onça em 2021, e espera que os preços da prata girem em torno de 22 dólares por onça em 2020 e de 30 dólares por onça no próximo ano.

As commodities não energéticas podem registrar uma “alta imediata”, à medida que o balanço do mercado fica mais apertado em meio às expectativas de firme demanda da China e riscos climáticos, afirmaram os analistas do Goldman Sachs.

O banco manteve uma visão “neutra” para as commodities no curto prazo e “overweight” no médio prazo.

(Reportagem de Brijesh Patel, em Bangalore)

Setor mineral brasileiro tem resultado positivo no 3º trimestre

 

O desempenho da indústria mineral brasileira, no terceiro trimestre do ano, apontou para diversos avanços em indicadores. Houve aumento em atração de novos investimentos, exportação, faturamento, recolhimento de royalties e tributos, redução das importações e geração de empregos.

Os dados da indústria da mineração foram divulgados nesta quarta-feira (20), pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que reúne mineradoras responsáveis por mais de 85% da produção nacional. Segundo o informe, o saldo entre exportação e importação de minérios correspondeu a 45,5% do saldo comercial do Brasil no período.

No terceiro trimestre a valorização cambial e também dos preços das commodities minerais estabeleceram o faturamento da indústria mineral em R$ 50 bilhões, sendo que a produção está estimada em aproximadamente 287 milhões de toneladas de minérios, acima da registrada no segundo trimestre (cerca de 210 milhões de toneladas) e também superior na comparação com a do 3º trimestre de 2019 (280 milhões de toneladas).

Os valores de produção são estimativas do Ibram, com base em dados históricos, para agregados da construção civil (54% de participação), minério de ferro (42% de participação), bauxita, fosfato, manganês, alumínio primário, potássio concentrado, cobre contido, zinco concentrado, liga de nióbio, níquel contido e ouro. A confirmação deverá ser divulgada pela Agência Nacional de Mineração posteriormente.

No acumulado do ano – nos três trimestres –, a indústria da mineração faturou R$ 126 bilhões. O resultado de todo o ano de 2019 se situou em R$ 153 bilhões. As informações completas podem ser acessadas no site do Ibram.

 

 

Rebanho bovino cresce em 2019, influenciado pelo cenário externo

 

A Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM 2019), divulgada hoje (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o rebanho de bovinos, com 214,7 milhões de cabeças e alta de 0,4%, foi superado no ano passado pelo de galinhas, com 249,1 milhões de cabeças e elevação de 1,7%. Os suínos somaram 40,6 milhões de cabeças, redução de 1,6%, na comparação com o ano anterior.

De acordo com o IBGE, a pecuária brasileira teve em 2019 influência do contexto internacional. Abalada pela peste suína e visando a atender o mercado crescente interno, a China importou do Brasil 497,7 mil toneladas de carne bovina, expansão de 54,4% ante 2018, ao mesmo tempo em que aumentava a importação de carne suína em 61,7%, o que levou o Brasil a registrar 244,1 mil toneladas desse produto.

O rebanho bovino nacional cresceu 0,4% em 2019, depois de dois anos de retração. A Região Nordeste e o estado de Mato Grosso responderam pelo leve incremento, com aumentos de seus plantéis da ordem de 2,7% e 5,1%, respectivamente. Em termos de efetivo de bovinos, a liderança foi assumida no ano passado por Mato Grosso, com 31,7 milhões de cabeças e parcela de 14,8% no rebanho nacional. A Região Centro-Oeste permaneceu líder em participação no efetivo de bovinos no país (34,5%), com um total de 74 milhões de cabeças . O maior município produtor foi São Félix do Xingu (PA), com 2,2 milhões.

Suínos
O levantamento feito pelo IBGE revela que apesar da queda de 1,6% no efetivo de suínos, o número de matrizes subiu pelo terceiro ano consecutivo, com alta de 0,5%, atingindo 4,8 milhões de cabeças. A Região Sul lidera o rebanho suíno, com 20 milhões de cabeças, respondendo por 49,5% do total, embora tenha sofrido queda de 2,4% em comparação a 2018.

A Região Nordeste foi a única a registrar acréscimo em seu rebanho (+2,1%), um total de 5,9 milhões de cabeças. Santa Catarina é o primeiro estado do ranking da suinocultura, com efetivo de 7,6 milhões. Em termos municipais, Toledo (PR) aparece na primeira posição, com 1,2 milhão de cabeças.

Houve aumento em 2019 tanto no efetivo de codornas, que alcançou 17,4 milhões de aves (+3,4%), quanto na produção de ovos, de 315,6 milhões de dúzias (+5,9%). A Região Sudeste respondeu por 63,5% de codornas e por 67,3% da produção de ovos. Devido a investimentos na criação de codornas, o Espírito Santo superou São Paulo na produção de ovos dessas aves, com aumento de 14,9%. Santa Maria de Jetibá lidera a criação de codornas desde 2016 e desde 2015, também a produção de ovos.

Entre as criações de porte médio, caprinos e ovinos mostraram expansão de 5,3% e 4,1% no ano passado, respectivamente, somando 11,3 milhões de caprinos e 19,7 milhões de ovinos. A Região Nordeste respondeu por 94,6% e 68,5% dos rebanhos, respectivamente. Bahia é o primeiro estado do ranking para os dois rebanhos, com os maiores planteis nas localidades de Casa Nova, Juazeiro e Curaçá.

 

 

 

Brasil deve importar menos adubo em 2020 apesar de alta de consumo, diz consultoria

 

Importações deverão cair para cerca de 27 milhões de toneladas, versus 28,15 milhões de toneladas em 2019

O Brasil, maior importador de fertilizantes do mundo, deverá reduzir suas compras neste ano após importações recordes em 2019, de acordo com a avaliação da consultoria INTL FCStone nesta quinta-feira (6).

A queda na importação deve ocorrer porque o país consumirá estoques comprados a preços favoráveis em 2019, ao mesmo tempo em que terá um ligeiro aumento na produção interna de fertilizantes em 2020 e deverá registrar alguma desaceleração no aumento da demanda de adubo.

As importações deverão cair para cerca de 27 milhões de toneladas, versus 28,15 milhões de toneladas em 2019, quando aumentaram pouco mais de 600 mil toneladas ante 2018.

“A queda dos preços internacionais dos adubos ao longo do segundo semestre do ano precedente corroborou para a formação de estoques domésticos confortáveis, com os agentes aproveitando as menores cotações para assegurarem carregamentos antes da temporada de adubações”, disse a consultoria em relatório assinado pela analista Gabriela Fontanari.

Além dos estoques, a FCStone lembrou da retomada de operações de plantas nacionais de fosfatados. Em 2019, a paralisação da produção nos complexos da Mosaic, diante da necessidade de manutenções de segurança nas barragens, contribuiu para a expressiva importação do produto MAP no ano, em cenário que “deve ser mitigado em 2020”.

Por outro lado, a consultoria comentou que unidades da Petrobras em Sergipe e Bahia, cujas operações foram paralisadas, continuarão impactando a oferta interna. A estatal está deixando o mercado de fertilizantes.

Dessa forma, a produção total no Brasil está estimada em cerca de 7,6 milhões de toneladas, versus cerca de 7,4 milhões de toneladas em 2019.

Já o consumo interno está previsto em recorde de 36,9 milhões de toneladas, ante estimados 36,2 milhões de toneladas em 2019, disse a FCStone, que apontou também uma diminuição do ritmo da demanda.

“A desaceleração em relação aos anos anteriores decorre, principalmente, devido às incertezas que ainda permeiam o mercado da soja no tocante à demanda internacional, e o papel da China enquanto comprador da oleaginosa norte-americana, que pode impactar a remuneração do produtor, consequentemente influenciando suas decisões de investimento em adubação”, disse a consultoria.

 

 

Exportação de carne suína do Brasil sobe 33% em setembro; no ano, já supera 2019 completo

 

As exportações de carne suína do Brasil avançaram 33% em setembro ante igual período do ano anterior, totalizando 86,5 mil toneladas dos produtos in natura e processados, informou nesta quinta-feira a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Com o resultado, os embarques dos nove primeiros meses de 2020 já superam todo o acumulado de 2019 –foram 764,9 mil toneladas exportadas entre janeiro e setembro deste ano, contra 750 mil toneladas no ano passado completo.

A ABPA destacou que os resultados são guiados pelas fortes exportações ao mercado asiático. Apenas a China, principal cliente do Brasil, já importou 376,7 mil toneladas neste ano, alta de 133%. O volume não inclui os embarques para Hong Kong, que totalizam 131,6 mil toneladas no período, avanço de 14%.

“Temos boas expectativas quanto à manutenção deste ritmo ao longo dos próximos meses. Os indicativos fortalecem as previsões da ABPA de alcançarmos número próximo de 1 milhão de toneladas exportadas em 2020”, disse em nota o presidente da entidade, Ricardo Santin.

Em receitas, as exportações geraram 188,5 milhões de dólares em setembro, cifra 34% maior que a de mesmo mês do ano passado. Já no acumulado do ano, os resultados parciais de 2020 também superam os de 2019 inteiro –são 1,677 bilhão de dólares neste ano, contra 1,597 bilhão de dólares em todo o ano anterior.

 

 

Exportação de frango em setembro é menor que a esperada, diz Cepea

 

As exportações brasileiras de carne de frango in natura estiveram praticamente estáveis em setembro. Conforme dados da Secex, o país embarcou 298,6 mil toneladas de proteína durante o mês, 1% abaixo da quantidade exportada em agosto, informa o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

Esse resultado, assinala o Cepea, deve-se ao fato de o mês passado ter tido menos dias úteis. Mesmo assim, a média diária de embarques cresceu 4%, passando de 13,7 mil toneladas em agosto para 14,2 mil toneladas em setembro.

Considerando-se apenas os meses de setembro, no entanto, o volume embarcado no mês passado foi o mais baixo desde 2013, ainda tendo como base os dados da Secex.

Para os próximos períodos, agentes do setor consultados pelo Cepea estão otimistas, acreditando em recuperação das vendas externas. Os fundamentos, neste caso, vêm tanto do fato de que historicamente os embarques crescem ao longo de segundos semestres e também da reação da demanda chinesa pela carne brasileira.

A China, assinala o Cepea, atravessa um difícil período de peste suína africana, o que tem, consequentemente, influenciado também na procura por carne de frango.

 

 

Ministério diz que Brasil já negociou 225 mil t de arroz de fora do Mercosul

 

O Brasil já negociou um total de 225 mil toneladas de arroz dos Estados Unidos, Índia e Guiana, carregamentos esses que deverão entrar no país na segunda quinzena de outubro e em novembro, afirmou nesta sexta-feira o Ministério da Agricultura brasileiro.

A pasta citou em nota que essas importações de países de fora do Mercosul, realizadas dentro de uma cota de 400 mil toneladas sem tarifa, teriam potencial de atenuar a alta dos preços do arroz, que estão em patamares recordes.

A nota do ministério confirma notícia da semana passada publicada pela Reuters, com base em informações da associação Abiarroz, de que o país havia fechado negócios de cerca de 200 mil toneladas dentro da cota isenta de tarifas de 10% para o arroz em casca e de 12% para o beneficiado.

Na véspera, o governo dos Estados Unidos informou registro de venda de 71,1 mil toneladas de arroz ao Brasil –não ficou imediatamente claro se esse volume está dentro do total de negócios já fechados com os EUA.

O total contabilizado de vendas de arroz norte-americano ao Brasil chega a 108,3 mil toneladas neste ano, segundo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou na quinta-feira.

O volume se configura como a maior venda de cereal pelo país da América do Norte ao Brasil em um ano desde 2003, quando brasileiros importaram ao todo 486,45 mil toneladas.

Os preços estão elevados após um maior consumo do produto durante a pandemia, com crescimento estimado em 2020 de cerca de 5% pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), para quase 11 milhões de toneladas.

Isso ocorreu após o país ter entrado no ano com estoques relativamente pequenos, nos menores níveis desde 2014, pelo menos, segundo a Conab.

“O aumento no consumo interno provocado pelo crescimento da alimentação em domicílio por efeito da pandemia de Covid-19 resultou na elevação de preços de alimentos básicos, como arroz e feijão”, disse o diretor de Comercialização e Abastecimento do ministério, Sílvio Farnese.

Simultaneamente, as exportações brasileiras aumentaram cerca de 65% nos nove primeiros meses do ano, para 1,207 milhão de toneladas, com um câmbio favorável ajudando a reduzir a oferta interna, conforme dados do governo.

Segundo Farnese, o incremento da demanda mundial de alimentos com a preocupação da segurança alimentar criou no país um cenário propício ao aumento das exportações de arroz em ritmo recorde em relação aos anos anteriores.

Farnese explicou que a pressão do comportamento cambial com a desvalorização do real e o aumento nas cotações externas agudizaram ainda mais a pressão exportadora, reduzindo a competitividade da importação.

“Com isso, o equilíbrio entre a oferta e demanda interna ficou bastante ajustado criando um comportamento favorável à elevação nas cotações internas de forma recorde”, afirmou.

Para 2021, é esperado um crescimento na produção de arroz do Brasil de 7,2% em relação à safra anterior.