Safra de soja no Brasil deve saltar para recorde de 130,7 mi t em 2020/21, aponta pesquisa

 

A produção de soja do Brasil em 2020/21 deverá dar um salto para um recorde de mais de 130 milhões de toneladas, com bons preços impulsionando agricultores a aumentar o plantio em áreas de pastagens e também pela expectativa de uma recuperação de produtividades, após uma seca reduzir a safra no Sul do país em 2019/20, de acordo com uma pesquisa da Reuters.

A sondagem, realizada com oito especialistas, indica que o Brasil, maior produtor e exportador global de soja, poderá aumentar a safra em cerca de 8% na comparação com as 120,9 milhões de toneladas projetadas pelo governo no ciclo anterior.

O crescimento de quase 3% na área plantada, para o inédito patamar de 38 milhões de hectares, será impulsionado por margens de lucro elevadas, com o impulso do câmbio, que permitiu aceleradas vendas antecipadas pelos produtores, conforme os analistas.

“Quase 50% da safra de soja já foi comercializada, um ritmo recorde, isso mostra a tendência de crescimento de área”, disse o presidente da associação de produtores Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz Pereira, à Reuters.

“Vendo que dá renda, que dá margem comprando os seus insumos, ele (produtor) também busca aumentar em áreas de pastagem”, frisou o líder da Aprosoja, que acredita em um crescimento de ao menos 2% na área plantada.

Braz, um notório defensor do direito do produtor de abrir áreas dentro dos limites impostos pela lei para o desflorestamento em propriedades rurais, afirmou que o setor deverá optar, em geral, pelo plantio em áreas já abertas no passado, até pelo custo menor de se usar uma terra já desmatada.

Segundo ele, o plantio deve avançar na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), no sul do Pará e mesmo em algumas áreas do Centro-Oeste.

Para a consultoria privada Céleres, o cultivo de soja do Brasil deve aumentar em 1,3 milhão de hectares na comparação com a temporada anterior, com produtores impulsionados por margens operacionais recordes de 2,78 mil reais/ha, ante 1,47 mil reais/ha na temporada anterior.

Os patamares de preços estão historicamente elevados em reais, com a ajuda do câmbio, mas também devido a exportações fortes no primeiro semestre, o que levou a associação da indústria Abiove a apontar estoques finais de soja em 2020 nos menores níveis da história.

Para a empresa de análises Arc Mercosul, que tem a maior estimativa de área plantada entre os consultados, de 38,43 milhões de hectares, o aumento de uma safra para outra será de 3,8%, o maior em seis anos, com ofertas de preço pela safra futura de 20% a 30% superiores na comparação anual.

A Cogo Inteligência em Agronegócio, que tem a maior projeção de produção para 2020/21, de 133,3 milhões de toneladas, avalia que, considerada a tendência de neutralidade climática e a não caracterização de um fenômeno La Niña, o cenário climático é favorável para a próxima safra de verão 2020/2021 nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste (Matopiba).

“O plantio da temporada de verão 2020/2021 não deverá atrasar no Brasil…. As chuvas retornam gradualmente entre outubro e novembro deste ano”, disse Carlos Cogo em relatório.

A avaliação vai na direção da análise do agrometeorologista Marco Antonio dos Santos, que disse que, se tudo correr conforme esperado, o produtor de Mato Grosso poderá iniciar a colheita no final de dezembro, uma oferta muito bem-vinda em tempos de estoques baixos.

 

Aumenta expectativa de recorde nas exportações de carne bovina

 

Mesmo faltando uma semana a ser contabilizada no total do mês, os embarques já registram o melhor julho da história, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior

As exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada somaram 136,42 mil toneladas até a quarta semana de julho, de acordo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Isso representa média diária de 7,58 mil toneladas, que se mantida na última semana do mês, levará o Brasil a bater recorde histórico, com 174,32 mil toneladas, superando o volume registrado em outubro do ano passado, de 170,55 mil toneladas.

Mesmo faltando uma semana para acabar, este já é o julho com maior volume embarcado na história, avançando mais de 2% até o momento sobre o mesmo mês de 2019, o recorde anterior. Caso essa projeção de recorde se confirme, o volume exportado em julho de 2020 ficará 31% acima do registrado no mesmo mês do ano passado. Em relação à receita, o incremento pode chegar a 35%.

A alta demanda externa, sobretudo da China, por carne bovina somada à oferta restrita de animais terminados têm estimulado os preços da arroba no Brasil. Às 12h32 (horário de Brasília) desta terça-feira, 28, o contrato para outubro do boi gordo na B3 operava a R$ 223,85 na máxima do dia, e cada dia que passa se aproxima mais dos R$ 230, recorde registrado em 21 de novembro do ano passado. Lembrando que esse valor foi verificado na máxima daquele dia, enquanto que o recorde de fechamento, no mesmo dia, é de R$ 223,90.

 

China respondeu por 40% das exportações agrícolas brasileiras no 1º semestre

 

A China respondeu por 40% das exportações agrícolas brasileiras no primeiro semestre deste ano, segundo levantamento realizado pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e obtido pelo Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. De janeiro a junho deste ano, foram gerados US$ 20,5 bilhões com as vendas de produtos agrícolas para os chineses. “Em 2020 a participação da China nas exportações do agro foi recorde”, destaca o relatório.

Na sequência, entre os principais destinos, vêm os demais países da Ásia (17%) e a União Europeia (16%).

O peso da China na pauta agrícola brasileira é tão expressivo que as exportações para o país asiático foram superiores em US$ 5 bilhões à soma da receita gerada com vendas externas para União Europeia, América do Norte, Oriente Médio, América do Sul e África. De acordo com o documento, para cada US$ 1 exportado para a União Europeia, mais de US$ 2 são exportados para a China; enquanto para cada US$ 1 exportado para os Estados Unidos, quase US$ 7 são exportados para a China.

No período, a receita de exportações agrícolas do País atingiu recorde com geração de US$ 51,63 bilhões, 9,7% a mais que o registrado no primeiro semestre de 2019. Já a receita dos demais setores econômicos caiu 20%. Com o resultado, a participação do agronegócio no faturamento total das exportações brasileiras saltou de 43% para 51% no acumulado dos seis primeiros meses deste ano.

Os 10 principais produtos exportados pelo País representaram 80% da receita de exportações do agronegócio. Do total, R$ 20,5 bilhões vieram das vendas de soja (40%). Outros R$ 4,5 bilhões foram gerados pela comercialização externa de carne bovina (7%). Na sequência, entre os maiores faturamentos, constam celulose (6%), carne de frango (6%), farelo de soja (6%), açúcar (5%), café (4%), algodão (2%), carne suína (2%), papel (2%) e demais commodities (20%).

Para a China, as exportações agrícolas brasileiras aumentaram 30% em valor nominal, na comparação entre o primeiro semestre de 2019 e 2020, enquanto para os demais mercados caíram 1%. De soja, a comercialização para a China avançou 30% nos seis primeiros meses de 2020 e de carnes cresceu 114%. A oleaginosa e as proteínas brasileiras representam 87% do valor gerado com as vendas externas para o país asiático. A China adquiriu 72% da soja em grão exportada pelo Brasil.

 

 

Futuros do minério de ferro registram valorização de 1,14% na bolsa de Dalian

 

A sessão desta quarta-feira foi marcada por uma nova alta nos preços dos contratos futuros dos contratos futuros do minério de ferro, que são negociados na bolsa de mercadorias da cidade de Dalian, na China. O ativo com o maior volume de operações, com data de vencimento para o mês de setembro do presente calendário, somou 1,14% aos 841,50 iuanes por tonelada, o que representa um recuo de 9,50 iuanes em relação aos 832,00 iuanes de liquidação da véspera.

Na mesma direção, a jornada teve como principal característica a valorização dos preços dos papéis futuros do vergalhão de aço, que são transacionados na também chinesa bolsa de mercadorias de Xangai. O contrato com o mais volume, com data de entrega para outubro deste ano, ganhou 49 iuanes para 3.782 iuanes por tonelada, enquanto que o de janeiro de 2021 subiu 52 iuanes para 3.642 iuanes para cada tonelada.

Os índices acionários da China fecharam em alta pela quarta sessão seguida nesta quarta-feira, impulsionados pelas reformas do mercado de capital por Pequim, embora os ganhos tenham sido limitados pelas tensões com os Estados Unidos.

Ambos os índices recuperaram a maior parte das perdas vistas na semana passada devido a preocupações com o aperto da política monetária e saída de fluxos externos.

A China reformou seu índice de ações de Xangai nesta quarta-feira pela primeira vez em 30 anos, acrescentando empresas de tecnologia listadas no Mercado STAR, eliminando empresas de alto risco e adiando a inclusão de ações recém-listadas.

As empresas de tecnologia continuam sendo uma aposta estratégica para os investidores no longo prazo, já que Pequim avança com mais reformas para sustentar o setor de tecnologia, disse Liu Hongming, gerente de fundos da Dingxin Huijin Asset Management Company.

 

 

Brasil continuará a ampliar comércio de alimentos no mundo, dizem FAO e OCDE

 

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação de consumidores em relação ao meio-ambiente, aponta o relatório.

O Brasil continuará ampliando seu peso no comércio agrícola mundial, ao mesmo tempo em que cresce a preocupação de consumidores em relação ao meio-ambiente, aponta o relatório “Perspectivas Agrícolas 2020-29”, publicado pela OCDE e FAO.

A América Latina e Caribe como um todo deverá consolidar sua posição de primeiro fornecedor mundial de produtos agrícolas. Sua produção é projetada para aumentar 14% nos próximos dez anos. As exportações devem aumentar 1,7% ao ano em média. Em 2029, a região representará 60% das exportações mundiais de soja, 40% de milho, 39% das vendas de açucar e 35% das exportações de carnes bovina e de frango.

 

 

Porto de Santos tem movimentação recorde no 1º semestre puxado por commodities agrícolas

 

O volume representa um avanço de 10,6% na comparação anual

O porto de Santos registrou entre janeiro e junho de 2020 um recorde semestral de movimentações, atingindo a marca de 70,3 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelas exportações de commodities agrícolas, informou a Santos Port Authority (SPA) nesta terça-feira.

O volume representa um avanço de 10,6% na comparação anual, com altas de 13,9% nas exportações e de 2,6% nas importações, segundo comunicado da autoridade portuária, que destacou resultados positivos inclusive nos segmentos mais afetados pela pandemia de coronavírus, como o de contêineres.

Em termos de exportações, os embarques de açúcar dispararam 40% no período, a 8,7 milhões de toneladas, enquanto as exportações do complexo soja bateram 22,8 milhões de toneladas, alta de 27% no ano a ano. Santos é o principal porto do Brasil para embarques dos dois produtos.

Os embarques de commodities do Brasil têm sido estimulados pelo câmbio favorável e uma firme demanda chinesa, especialmente por soja, principal produto de exportação do país. No caso do açúcar, o Brasil também ampliou suas exportações em momento de menor oferta em outros países competidores, o que chegou a gerar filas e espera para os despachos.

No fronte da importação, o porto verificou no semestre altas de cerca de 30% nos desembarques de adubo, a 2,7 milhões de toneladas, e de óleo diesel e gasóleo, a 1,4 milhão de toneladas.

“Os bons números do porto refletem a pujança do agronegócio e o efeito favorável do câmbio para as exportações. No acumulado do ano, também o contêiner, que movimenta as cargas de maior valor agregado e as mais afetadas pela pandemia, registra avanço importante”, disse em nota o presidente da SPA, Fernando Biral.

Considerando apenas junho, Santos registrou seu quinto recorde mensal consecutivo, movimentando 12,3 milhões de toneladas, avanço de 6,2%. Apesar de um nível menor de desembarques ante junho de 2019, as exportações — novamente puxadas por commodities agrícolas — permitiram o resultado.

Os embarques em junho totalizaram 9,4 milhões de toneladas, alta de 14,6% no ano a ano; os desembarques somaram 2,8 milhões de toneladas, queda de 14,3%, apontou a SPA.

 

 

Além da vitamina C: por que o suco de laranja se valorizou mais que o ouro

 

Em meio à pandemia, bebida é a commodity que mais sobe na bolsa de Nova York

De caixinha, garrafa ou natural, o suco de laranja ganhou espaço nas mesas durante a pandemia de coronavírus covid-19. Embora não existam evidências científicas de que o consumo da bebida pode ser eficaz na prevenção da doença, houve um súbito aumento da demanda pelo produto entre os meses de março e abril.

Nos Estados Unidos, país que mais consome suco de laranja no mundo, as vendas do produto aumentaram 44% entre meados de março e de abril, segundo dados da consultoria de pesquisas de mercado Nielsen. Foi justamente nesse período, que o produto, negociado na bolsa de Nova York, bateu suas máximas do ano, chegando acumular alta de 26,08%.

O suco de laranja é a commodity que mais sobe no ano, chegando a superar em quase duas vezes a valorização do ouro, um dos principais refúgios dos investidores em períodos de incertezas econômicas, como este. Até o fechamento de sexta-feira, 8, o metal precioso acumulava alta de 12,19% no ano, enquanto o suco de laranja já havia subido 22,8%. Como é negociada em dólares, em reais, a valorização do suco de laranja é de 75%.

Plinio Nastari, presidente da consultorias de commodities agrícolas Datagro, afirma que a valorização do suco de laranja tem relação direta com o covid-19. “A percepção do consumidor é a de que o suco de laranja é benéfico à saúde”, disse.

Mas o motivo do aumento da demanda pode ir muito além da vitamina C e do medo de contrair a doença, explica Ibiapaba Netto, diretor da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR). Segundo ele, o simples fato de mais pessoas estarem em casa pode ter aumentado a procura pela bebida, já que é onde é mais consumida.

“Em casa, as pessoas tomam mais café da manhã, que é onde está 75% do consumo do produto. É um hábito muito forte nos Estados Unidos, mas que vinha se perdendo nos últimos anos”, afirmou.

De acordo com o portal alemão de estatísticas de mercado Statista, o consumo de suco de laranja vinha em constante queda, nos EUA, desde a safra 2012/2013. Com relação à safra de 2008/2009, o consumo da bebida já havia caído 38,73%.

“Ao longo dos anos foi perceptível a redução do hábito de tomar café da manhã. Aquele velho ritual de quando todo mundo tomava café junto e o suco de laranja era uma das grandes estrelas da mesa diminui”, disse Netto.

O sinal de que o café da manhã passou a ganhar mais relevância durante a quarentena também é notado nas vendas globais de cereais matinais. Em seu balanço do primeiro trimestre, o grupo Kellogs, de marcas como Sucrilhos e Corn Flakes, informou um forte crescimento da receita em março. Na Europa, as vendas líquidas da companhia cresceram em níveis recordes de 6%.

Mas, mesmo após a pandemia, especialistas não esperam que o suco de laranja seja tirado da mesa tão rápido. Já considerando os efeitos da pandemia, dados do Statista mostram que o consumo mundial de suco de laranja deve crescer nos próximos quatro anos, chegando a um incremento de até 5,26% em 2024.

“A bebida pode ter sido apresentada para quem que não tinha o hábito de tomar suco de laranja, como os millennials. Pode ser que eles passem a tomar mais”, comentou Netto.

Maiores exportadores de suco de laranja, os produtores brasileiros devem se beneficiar tanto da maior demanda quanto da variação cambial. De acordo com dados da CitrusBR, no ano safra de julho de 2019 a março de 2020, as exportações de suco de laranja cresceram 18%. Mas Netto afirma que ainda é muito cedo para afirmar que a pandemia tenha impulsionando as exportações, devido à complexidade do mercado.

“A cadeia de suco de laranja é muito longa. Depois que o navio chega no destino, ele fica no terminal, onde o produto é vendido de caminhão a caminhão. Primeiro exporta, depois vende. Então é muito difícil analisar o dado mês a mês”, explicou o diretor da CitrusBR.

Estimativa de junho prevê safra recorde de 247,4 milhões de toneladas

 

A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas para 2020 foi estimada agora em junho em 247,4 milhões de toneladas. Com isso, se manteve em patamar recorde com 2,5% acima da safra de 2019, o que representa mais 6 milhões de toneladas.

O resultado é também 0,6% maior que a estimativa de maio em mais 1,5 milhão de toneladas. Os dados fazem parte do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, referente a junho, divulgado hoje (8), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.

A área a ser colhida é 2,2% acima da registrada em 2019, que, com o acréscimo de mais 1,4 milhão de hectares, atingirá 64,6 milhões de hectares. Os três principais produtos deste grupo são o arroz, milho e a soja. Somados, representaram 92,3% da estimativa da produção e responderam por 87,2% da área a ser colhida.

Conforme o levantamento, em relação a 2019, houve alta de 1,7% na área do milho, com os aumentos de 4,7% no milho de primeira safra e de 0,6% no milho de segunda safra; de 2,9% na área da soja e quedas de 2,0% na área do arroz e de 0,1% na do algodão herbáceo.

Alta em relação a 2019
Na comparação com o ano passado, há previsão de mais 119,9 milhões de toneladas na soja, o que significa elevação de 5,6%. No arroz, com o crescimento de 5,3%, são mais 10,8 milhões de toneladas, e de 0,4% para o algodão herbáceo com mais 6,9 milhões de toneladas.

O IBGE informou também que, com uma produção de 97,5 milhões de toneladas, sendo 26,7 milhões de toneladas de milho na primeira safra e 70,8 milhões de toneladas de milho na segunda, espera-se recuo de 3% para o milho, após crescimento de 2,8% na primeira safra e decréscimo de 5,1% na segunda.

A região Centro-Oeste responde por 115,8 milhões de toneladas na distribuição da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas. As demais regiões: Sul (73,6 milhões de toneladas), Sudeste (25,6 milhões) Nordeste (21,9 milhões) e o Norte (10,5 milhões).

A pesquisa indica, ainda, que há aumento em quase todas as regiões: Nordeste (14,3%), Sudeste (7,8%), Norte (7,0%) e Centro-Oeste (3,8%). O único que apresentou declínio foi o Sul do país (4,7%).

Estados
Na distribuição da produção pelos estados, Mato Grosso lidera como maior produtor nacional de grãos, com uma participação de 28,4%, seguido pelo Paraná (16,4%), Rio Grande do Sul (10,7%), Goiás (10,1%), Mato Grosso do Sul (7,9%) e Minas Gerais (6,1%), que, somados, representam 79,6% do total nacional. Com relação à participação das regiões brasileiras, tem-se a seguinte distribuição: Centro-Oeste (46,8%), Sul (29,8%), Sudeste (10,3%), Nordeste (8,9%) e Norte (4,2%).

Junho e Maio
Na relação de junho a maio deste ano, os destaques são as variações nas estimativas de produção do café arábica (4,8%), cana-de-açúcar (1,8%), mandioca (1,4%), trigo (1,2%), sorgo (1,2%), aveia (1,0%), milho 2ª safra (0,9%), milho 1ª safra (0,6%) e soja (0,5%).

Houve redução na produção da batata 3ª safra (26,2%), feijão 1ª safra (3%), cevada (2,4%), café canephora (1,9%), batata 2ª safra (1,6%), feijão 2ª safra (1%) e batata 1ª safra (0,5%).

Já em números absolutos, as variações em destaque ficam por conta da cana-de-açúcar (11,9 milhões de toneladas), milho 2ª safra (647,7 mil toneladas), soja (547,3 mil toneladas), mandioca (266,6 mil toneladas), milho 1ª safra (160,8 mil toneladas), café arábica (121,7 mil toneladas), trigo (82,7 mil toneladas), sorgo (31,7 mil toneladas), aveia (10,5 mil toneladas), batata 3ª safra (-239,3 mil toneladas), feijão 1ª safra(-42,3 mil toneladas), cevada (-10,5 toneladas), café canephora (-16,6 toneladas), batata 2ª safra (-17,6 mil toneladas), feijão 2ª safra (-11,0 mil toneladas) e batata 1ª safra (-8,8 mil toneladas).

Estimativa de junho prevê safra recorde de 247,4 milhões de toneladas

 

Brasil terá crescimento de 50% na exportação de carnes em dez anos, aponta estudo

 

Pesquisa elaborada pela Fiesp com projeções para as principais commodities do agro indica que país passará das atuais 6,9 milhões de toneladas embarcadas para mais de 10 milhões de toneladas no fim da década

Estudo indica que o Brasil terá crescimento de 50% na exportação de proteínas animais até o fim aa década. A conclusão faz parte da pesquisa Outlook 2029, elaborada pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e que traz projeções para o agronegócio brasileiro. De acordo com o relatório, o país passará das 6,9 milhões de toneladas embarcadas no ano passado para 10,36 milhões de toneladas em 2029, somando-se os volumes exportados de carne bovina, de frango e suína.

O segmento que mais colaboraria para esse cenário seria o de carne bovina, com elevação de 65% no total de embarques no período, saindo de 1,95 milhão de toneladas atualmente para 3,22 milhões de toneladas em 2029.

As exportações de carne de frango, prevê o estudo, teriam evolução de 44% até o fim da década, atingindo 6 milhões de toneladas, e as de carne suína, 45%, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas. Já a produção de carne, somadas todas as categorias animais, cresceria 26% até o fim da década, de acordo com o estudo da Fiesp.

No caso da proteína bovina, o estudo indica que um fator importante para a dinâmica do setor é a ausência de embargos nos países compradores, o que têm preservado o fluxo de exportações do Brasil. Contribuiria para esse cenário a condução por parte das autoridades brasileiras, com destaque para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, na abertura e reabertura de importantes mercados consumidores.

Também é visto como benéfico ao setor o fato de alguns competidores externos do Brasil terem mantido uma elevada proporção de descarte de fêmeas nos últimos dois anos, caso de EUA, Austrália, Argentina e Uruguai. O que teria implicado maior oferta de carne e, consequente, pressão baixista nos preços. De acordo com o estudo, isso sugere que a oferta de carne deverá desacelerar nesses países pela escassez de bezerros.

Carne de frango
Na avicultura, a instabilidade na relação política entre os Estados Unidos e a China seria um ponto positivo para as exportações brasileiras. No futuro, indica o estudo, eventualmente a carne americana poderá novamente estar sujeita a sobretaxas impostas pelo governo chinês.

Apesar do destaque da China, que passou a ser o principal destino da carne de frango brasileira em 2019, as exportações nacionais também melhoraram para outros mercados relevantes, que haviam apresentado performance fraca no ano anterior, caso de Arábia Saudita, Japão e Egito. Por outro lado, para a União Europeia as vendas foram ainda menores em 2019.

O estudo considera que o Brasil esteja bem posicionado no mercado internacional, devendo manter o ritmo de crescimento das exportações nos próximos dez anos. Da mesma forma, a demanda interna pela proteína seguiria uma trajetória ascendente, com reflexos positivos na geração do produto brasileiro.

Carne suína
Sobre a carne suína, o estudo da Fiesp lembra que a China fortaleceu as importações de carnes de diversos países produtores , com o intuito de compensar parte da grande retração da produção por conta de reflexos do severo surto de peste suína africana (PSA). Ainda assim, o volume total da exportação mundial de carne suína seria relativamente inferior à redução da oferta da China, o que fará com que as compras chinesas continuem elevadas, dando sustentação ao crescimento da demanda externa.

No Brasil, as exportações para a China se fortaleceram, e o estudo concluiu que isso deu suporte a um aumento nos preços da carne no mercado interno, com a consequente recuperação de margens dos produtores, apesar dos custos de produção, que se mantêm elevados desde 2018.

No ambiente externo, o ponto de atenção segundo as projeções da Fiesp é a recente Fase I do acordo comercial fechado entre EUA e China. De acordo com o estudo, os EUA são extremamente competitivos na produção de carne suína, sendo também um dos grandes exportadores mundiais. Os preços no país encontram-se deprimidos por causa da elevada disponibilidade interna, o que torna o produto norte-americano ainda mais competitivo. Contudo, apesar da maior competição com a carne suína americana, o déficit chinês é tão grande que o impacto negativo sobre as exportações brasileiras deve ser minimizado.

Usinas do Brasil já fixaram vendas de 3,3 mi t de açúcar da safra 2021/22

 

Usinas brasileiras já fixaram vendas de 3,3 milhões de toneladas de açúcar da safra do ano que vem na bolsa de Nova York (ICE), um volume relativamente elevado para esta época do ano, informou nesta quarta-feira a Archer Consulting, em sua primeira estimativa de fechamento de negócios para a temporada 2021/22.

“Em dez anos de acompanhamento das fixações de preços de açúcar para exportação das usinas, esta é a primeira vez que temos uma situação de razoável volume já fixado para a safra seguinte, ou seja, usinas fixando preços de açúcar em NY com mais de doze meses de antecipação”, disse o sócio-diretor da Archer, Arnaldo Correa, em nota. “Coisa rara”, ressaltou ele.

Segundo o consultor, “as usinas estão muito mais conscientes da necessidade de se ter uma gestão de risco focada no resultado”.

O valor médio apurado das fixações é de 1.456 reais por tonelada (FOB Santos), considerando o prêmio de polarização. Os dados consideram apuração até 31 de maio.

“Boa parte do volume fixado ocorreu na aceleração da desvalorização do real em relação ao dólar, portanto, nos meses de abril e maio, justamente quando as cotações em NY despencavam em centavos de dólar por libra-peso”, frisou o consultor, em relatório.

Ele preferiu não estimar o percentual da safra de 2021 com vendas fixadas, porque fazer isso neste momento “é indigesto exercício de futurologia”.

Em meados do mês passado, a Archer havia apontado que as usinas do Brasil tinham fixado preços para exportações de 21,1 milhões de toneladas de açúcar da safra atual (2020/21), com base em contratos negociados na ICE, em Nova York, até 31 de maio –o equivalente a cerca de 89% dos embarques projetados para a temporada.