Exportação de suco de laranja cresce 28%; CitrusBR analisa dados com cautela e vê alta como pontual

As exportações totais de suco de laranja brasileiro (FCOJ Equivalente a 66º Brix) registraram uma alta de 18% nos nove primeiros meses da safra 2019/20 em comparação com o mesmo período da safra anterior.

Ao todo foram embarcadas 861.700 toneladas ante 732.048 toneladas registradas no mesmo período da safra 2018/19. Em faturamento o aumento é de 6% com um total de US$ 1,445 bilhão ante US$ 1,369 bilhão na safra passada. Contudo, é preciso ressaltar que a alta acontece sobre uma base pequena.

A safra 2018/19, que serve como referência para comparação, fechou com o segundo pior volume exportado desde que o Brasil ultrapassou a barreira de 1 milhão de toneladas exportadas na safra 1991/92.

“Quando observamos o volume exportado no período, ele equivale ao desempenho de dois anos atrás, ou seja, da safra 2017/18, que foi um bom ano, mas ainda abaixo dos melhores índices observados entre as safras 2003/04 e 2006/07, entre outras”, explica o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto.

“Assim, por mais que acreditemos na qualidade nutricional de nosso produto e fiquemos felizes por ele estar sendo lembrado por consumidores de todo mundo num momento tão delicado, é preciso ter cautela na leitura dos números”, afirma

Segundo Netto, houve uma corrida grande aos supermercados a partir da segunda semana de março em que aparentemente os consumidores aumentaram a procura por suco de laranja em função da concentração de Vitamina e aproveitaram para estocar o produto em casa.

“Parte do aumento de compra deve ser atribuída à procura de vitamina C e parte do aumento se deve à estocagem de suco na casa das pessoas”, diz o executivo que comenta não ser possível saber qual o peso de cada uma das razões do aumento neste momento.

Se por um lado estima-se um aumento de 10% de consumo no varejo americano em 2020, com grande concentração em março, por outro, o setor de food service foi devastado. “O setor de food service é muito relevante, principalmente nos Estados Unidos e essa queda anula parte dos ganhos que aconteceram no varejo”, explica. “Vamos acompanhar os dados e relatórios nas próximas semanas com serenidade”, afirma.

Mercados:

Para o principal destino, a União Europeia, os embarques de suco de laranja totalizaram de julho a março, 597.242 toneladas, 26% acima das 472.449 toneladas exportadas na safra anterior. O faturamento somou US$ 1,011 bilhão, 14% a mais que em 2018/2019, quando foram exportados US$ 886,812 milhões.

Segundo principal destino do suco de laranja brasileiro, os Estados Unidos, no período, importaram 138.800 toneladas, 16% a menos do que observado entre julho e março do ano passado, com 165.015 toneladas. Em faturamento, os embarques para os Estados Unidos somaram US$ 224,7 milhões, redução de 11% no comparativo com a safra passada, quando as receitas foram de US$ 295,5 milhões.

“A redução nos embarques ainda é reflexo da alta nos estoques de suco reportados nos Estados Unidos, que estão nos maiores níveis dos últimos cinco anos”, pondera o executivo.

Os embarques de suco de laranja para o Japão também registraram alta entre julho e março de 2020, em relação ao mesmo período do ano anterior. Nesta temporada, já foram exportadas para o país, 48.944 toneladas, 38% a mais que nos oito meses da safra 2018/2019, com 35.345 toneladas. O faturamento cresceu 28%, com US$ 87,07 milhões ante os US$ 68,2 milhões.

A China registrou uma alta de 46% nas importações de suco de laranja brasileiro no período, chegando ao volume de 35.991 toneladas ante 24.601 na safra anterior. Em faturamento o incremento é de 1% nos primeiros oito meses com US$ 50,6 milhões ante US$ 50,2 milhões no período anterior.

“Uma das explicações pode ser a desvalorização do suco ao longo desse período em comparação ao período anterior, o mercado chinês é muito suscetível a preço e faz sentido um aumento nessa conjuntura”, diz.

Relatório mostra crescimento no consumo dos EUA

Os dados mais recentes da consultoria Nielsen apontam que as vendas de suco de laranja no varejo dos Estados Unidos somaram 131 milhões de litros no período de quatro semanas, encerradas em 14 de março. Esse volume representa um aumento de 9,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em receitas, a alta foi de 9%, com um total de US$ 245,9 milhões. Segundo a consultoria, trata-se do primeiro grande aumento de consumo registrado no país nos últimos 12 anos. O relatório revela ainda que as vendas de sucos reconstituídos, que tem mostrado sinais de revitalização, aumentaram 9,4%, para 44 milhões de litros, com faturamento de US$ 56,44 milhões.

Mas o suco NFC ainda é o carro chefe do mercado, responsável por vendas de 77,6 milhões de litros, o que corresponde por 59% do total. Nessa categoria o avanço foi de 9,3%. Em receitas o total foi de US$ 173,98 milhões, alta de 10,5%.

(*) Com informações da CitrusBR

Soja: Dólar Alto e Firme Demanda Elevam Preços da Soja

Os preços de soja em grão atingiram novos patamares recordes nominais na semana passada, de acordo com pesquisas do Cepea.

Esse movimento de alta está atrelado à significativa elevação do dólar frente ao Real, que segue favorecendo as exportações brasileiras.

Diante da firme demanda externa e dos preços atrativos aos vendedores, o volume comercializado da safra 2019/20 no Brasil já está em cerca de 80% e da 2020/21, em aproximadamente 20% – quantidades recordes em comparação a esses mesmos períodos de anos anteriores, segundo agentes consultados pelo Cepea.

Com isso, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa da soja Paranaguá (PR) registrou significativa alta de 5,18% entre 17 e 24 de abril, fechando a R$ 106,16/saca de 60 kg na sexta-feira, 24. O Indicador CEPEA/ESALQ Paraná, por sua vez, subiu 4% entre 17 e 24 de abril, a R$ 98,84/sc de 60 kg no dia 24.

China segue tendo necessidade de importar grandes volumes de carne suína

Segundo informações do Ministério da Agricultura chinês, a produção de carne suína este ano pode cair 7,5% em relação a 2019 e as importações, subirem 32,7%; coronavírus e persistência da Peste Suína Africana prejudicam retomada.

Além da atual crise causada pelo coronavírus, iniciada na China, o país asiático ainda luta contra casos de Peste Suína Africana, doença que ainda não foi controlada e assolou cerca de metade do plantel de suínos do país desde 2018. A expectativa, informada pelo Ministério da Agricultura da China nesta segunda-feira (20), é de que as importações de carne suína neste ano aumentem 2,8 milhões de toneladas, crescimento de 32,7% em comparação com o ano passado.

Apesar das projeções oficiais do governo chinês indicarem aumento de quase 33% nas importações de carne suína este ano, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta que o crescimento deva ser de 57%.

De acordo com informações do comitê do Ministério da Agricultura da China, divulgadas pela Bloomberg, a intenção do país em normalizar a produção de suínos até o final deste ano ficou mais difícil de se concretizar. A produção suína do país pode cair 7,5% em relação ao ano anterior, para 39,3 milhões de toneladas em 2020.

Uma das razões são os custos de produção alto, como o aumento do valor dos leitões, e a maioria das fazendas médias e pequenas, que costumavam supirir a maior parte da produção, podem não estar ativas justamente pelos altos custos e pelo risco que a Peste Suína Africana ainda representa.

A queda na produção e a lentidão para recuperação acaba coincidindo com um período de demanda menor, devido ao isolamento social pela pandemia de coronavírus, que fechou escolas, hotéis e cadeias de foodservice. Segundo dados do Miunistério da Agricultura da China, divulgados pela Reuters, o consumo de carne de porco caiu 19% em relação ao ano anterior.

Apesar da atual queda da demanda, com a retomada mais adiante dos setores que estão com as atividades suspensas pode dificultar a oferta de carne suína para suprir a demanda que está por vir.

Em um cenário mais imediato, com o fechamento de grandes plantas processadoras de carne nos Estados Unidos, o cenário americano pode representar uma oportunidade para as exportações brasileiras, segundo entrevista concedida pelo presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, à Reuters.

Segundo ele, os Estados Unidos devem privilegiar a demanda interna em caso de escassez de produto, e é essa lacuna que pode ser aproveitada pelo Brasil.

 

 

Café: Indicador do Arábica Atinge Maior Patamar Nominal da Série

Os preços do café arábica vêm oscilando nas últimas semanas, influenciados pelas flutuações nos valores externos da variedade, pela retração vendedora no físico nacional e pelo dólar.

Ainda assim, no geral, o movimento que tem sido observado no mercado doméstico é de alta. O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica do tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, fechou a R$ 590,34/saca de 60 kg, avanço de 1,5% no acumulado da parcial de abril e sendo o maior preço nominal diário da série histórica do Cepea.

Já em termos reais, trata-se do maior patamar desde fevereiro de 2017, quando a média mensal do Indicador atingiu R$ 591,40 (deflacionada).

O maior Indicador real da série do Cepea, por sua vez, é de R$ 1.352,61/saca, verificado em maio de 1997.

Minério de ferro sobe 1,3% na China por expectativa de demanda

Os contratos futuros do minério de ferro de Dalian subiram nesta sexta-feira depois que a mineradora Rio Tinto disse que a demanda da China pela matéria-prima siderúrgica continua se recuperando, mas dados econômicos chineses sombrios mostrando o impacto do surto de coronavírus mantiveram o otimismo dos investidores sob controle.

O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian, na China, subiu 1,3%, a 612 yuans (86,47 dólares) a tonelada, depois de avançar até 2,9% para uma máxima de oito meses no início da sessão.

A Rio Tinto, a maior produtora de minério de ferro do mundo, reportou produção mais forte do que o esperado no primeiro trimestre, mas manteve seu guidance anual.

A mineradora anglo-australiana disse que a demanda das siderúrgicas chinesas, particularmente pelo material de alta qualidade, era forte, apesar das medidas de contenção do coronavírus.

O minério de ferro de Dalian marcou sua segunda alta semanal consecutiva, apesar dos dados que mostram que a produção econômica da China no primeiro trimestre encolheu pela primeira vez em décadas.

Os mercados estão começando a olhar para o que as perspectivas de médio e longo prazo podem ser, à medida que a pandemia está sob controle.

 

IBGE aumenta projeção da safra de grãos de 2019 para 230,1 mi toneladas

Segundo o instituto, bom desempenho da agricultura é puxado pelos plantios de milho e algodão

O Brasil deve produzir 230,1 milhões de toneladas de grãos em 2019, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola divulgado nesta quinta-feira, 11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A projeção aumentou 0,3% em março comparado ao que foi previsto no mês anterior. Com isso, a expectativa é que a safra seja a segunda maior da série histórica, contabilizada desde 1975, perdendo apenas para o ano de 2017.

Em comparação a 2018, o crescimento da produção deve ser de 1,6%, enquanto a área colhida aumentará 2,3%, segundo as projeções.

A previsão para a safra brasileira é divulgada mensalmente pelo IBGE. A melhora na estimativa de março é fruto do otimismo em relação à segunda safra do milho e ao algodão, que deve ter produção recorde neste ano, de 6,2 milhões de toneladas.

A soja caiu um pouco em consequência ainda do mau tempo no final do ano passado, mas a segunda safra do milho [referente ao que foi produzido entre janeiro e março] está crescendo 6,7% em relação a 2018, porque o clima está ajudando. Por ter começado a chover antes do habitual, o ano agrícola permitiu o plantio da soja mais cedo e abriu a janela de plantio para a segunda safra do milho”.

Já o bom desempenho do algodão está relacionado, de acordo com ele, ao preço do produto, que está em alta no mercado. A produção cresceu 12,2% em relação ao mês anterior. A estimativa é o recorde da série do IBGE para esse produto. O produtor ganhou dinheiro com o algodão no ano passado, porque estava com um bom preço, por isso ele decidiu investir novamente neste ano.

Apesar do já alto patamar, a safra deste ano pode ter novos aumentos, a depender do clima. Daqui para frente, o total da safra vai depender do clima em relação à segunda safra do milho e à safra de inverno, com o trigo. Se a chuva firmar, ainda podemos ter uma produção maior.

Venda de soja da safra futura do Brasil dispara para nível recorde

A comercialização antecipada de soja da safra 2020/21 pelos produtores brasileiros registrou forte avanço em março, a um nível recorde para o período, diante de uma melhora nas cotações do produto e da alta na taxa de câmbio, disse nesta quarta-feira a consultoria Datagro.

Segundo dados da empresa, as vendas da oleaginosa da nova safra atingiram 19,9% da produção esperada, superando com folga o nível visto em mesmo momento do ano passado (5%), a média histórica de cinco anos (3,8%) e o recorde anterior, de 2016 (8%).

Considerando as estimativas da Datagro para a temporada 2020/21, de produção de 128,9 milhões de toneladas, cerca de 25,7 milhões de toneladas já teriam sido comercializadas antecipadamente.

“O esperado comportamento positivo médio dos preços foi confirmado, e com folgas. E a forte melhora das cotações, gerada especialmente pela explosão da taxa de câmbio, fez com que os produtores retomassem com força o interesse de venda”, disse em nota o coordenador da Datagro Grãos, Flávio França Júnior.

O dólar tem operado em máximas históricas frente ao real. Apenas no primeiro trimestre deste ano, a divisa norte-americana marcou uma valorização de 29,44%, a maior alta trimestral em 18 anos.

Na mesma toada, os negócios da safra 2019/20 também ganharam impulso no período, chegando a 71,5% da produção esperada, à frente dos 51,8% compromissados no mesmo momento do ano passado e do recorde de 59,5% visto em 2016.

O salto nas vendas antecipadas de soja 2019/20 entre os relatórios de março e abril da Datagro foi de 13 pontos percentuais.

MILHO

A comercialização antecipada de milho também se fortaleceu em março. O cereal da safra de verão 2019/20 atingiu vendas de 43,8% da produção, salto de mais de 20 pontos em relação ao relatório anterior, superando os 32% vistos tanto em igual período do ano passado quanto na média histórica.

Já as vendas da safra de inverno 2020 bateram 54% da produção esperada, puxada pelo desempenho de Mato Grosso (80% da safra vendida).

A alta é mais modesta na comparação com o mês anterior, de 9 pontos, mas ainda assim superando igual período da safra passada (39%) e a média histórica (37%).

“Os negócios foram generalizados no último mês, especialmente favorecidos nas praças onde houve melhora maior das cotações”, destacou França Júnior.

Mercado de commodities da China dá sinais de recuperação

A Bloomberg Economics estima que a maior parte da China, cerca de 90% a 95%, já havia retomado as atividades na semana passada

Do petróleo ao cobre e ao carvão, a gigantesca indústria de commodities da China sinaliza que a primeira economia a ser atingida pelo coronavírus está perto de voltar à normalidade.

A Bloomberg Economics estima que a maior parte da China, cerca de 90% a 95%, já havia retomado as atividades na semana passada, com ritmo mais acelerado no mercado de aço, setor de construção e processamento de petróleo.

As refinarias de petróleo, bem como usinas a carvão, se aproximam das taxas operacionais do ano passado, enquanto os estoques de metais começam a encolher em relação a níveis recordes ou quase recordes.

É um ciclo de três meses de colapso e recuperação marcado talvez pela conquista mais animadora para países que ainda enfrentam o vírus: pela primeira vez desde janeiro, a China não registrou nenhuma morte por Covid-19.

Na estrada
Motoristas da China retornaram às estradas em maior número do que na mesma época do ano passado, pois o distanciamento social incentiva mais pessoas a usarem seus próprios carros em vez do transporte público, de acordo com a BloombergNEF.

A diferença é que os motoristas parecem evitar viagens não essenciais. Isso é evidenciado pelos dados de congestionamento do índice TomTom Traffic, que mostra queda vertiginosa fora da hora do rush, e pelo tráfego em rodovias durante o feriado do fim de semana passado. O número de veículos estava muito abaixo do ano passado, pois o governo aconselhou as pessoas a ficarem longe de cemitérios ancestrais.

Estoques
O mercado chinês de cobre dá sinais de recuperação, o que é um indicador útil para a economia em geral, devido ao uso do metal na construção e transmissão de energia. Os estoques monitorados pela Bolsa de Futuros de Xangai caíram pela terceira semana em relação a um nível recorde, enquanto as reservas da Bolsa de Metais de Londres também diminuíram.

O estoque de vergalhões de aço também está em queda na China após o aumento recorde devido à prolongada pausa das atividades de construção.

Os estoques se acumularam quando siderúrgicas tentavam embarcar produtos em meio a restrições logísticas e de transporte. Ainda assim, analistas alertam que, apesar da queda, os estoques ainda estão em níveis elevados e as siderúrgicas enfrentam margens apertadas.

Esmagadoras
Processadoras de soja na China enfrentam restrições de oferta desde março devido às restrições de importações relacionadas ao vírus, com volumes de esmagamento semanal entre 1,4 milhão a 1,5 milhão de toneladas, segundo operadores. Esse volume deve se recuperar para cerca de 1,8 milhão de toneladas na segunda quinzena deste mês, à medida que mais grãos chegarem do exterior, disseram traders que não quiseram ser identificados.

Importadores de café acumulam estoques por temor de quarentenas contra coronavírus

Aumento da procura fez os preços no Brasil ficarem perto de níveis recordes.

Importadores de café em alguns dos principais países consumidores estão acumulando estoques, ao antecipar pedidos em até um mês, para evitar escassez caso a cadeia de suprimento seja impactada por quarentenas adotadas contra o coronavírus.

A pandemia global tem levado governos ao redor do mundo a impor severas restrições à movimentação de pessoas para conter a disseminação do vírus.

Isso tem impactado a cadeia de fornecimento, ao tornar difícil para empresas encontrar motoristas de caminhão e tripulações para navios, além de reduzir fortemente a capacidade em fretes aéreos.

Em contraste com a forte queda de preços em muitas commodities, as cotações do café estão mais elevadas devido à forte demanda e expectativas de que a oferta, que estava apertada mesmo antes do vírus, possa ficar ainda menor.

Produtores nos maiores países exportadores como Brasil e Colômbia, entre outros, têm visto os preços crescerem.

“Todo mundo está tentando acelerar as coisas”, disse o diretor para a Colômbia da exportadora Caravela Coffee, Carlos de Valdenebro. Embora a Colômbia esteja em período entressafras, ele disse estar preocupado com pedidos para aceleração dos embarques, uma vez que a maior parte dos exportadores que ainda tem estoques no país reduziu temporariamente a capacidade operacional.

Um grande importador de café dos EUA disse que torrefadores norte-americanos também estão tentando acelerar as entregas de suas origens, como a América Central.

“Nós tivemos pedidos de compradores em todos principais países, Estados Unidos, Japão, Alemanha”, disse o chefe de um dos maiores exportadores de café do Brasil, sob a condição de anonimato. “Basicamente de todos grandes torrefadores do mundo. Eles querem ter os grãos lá mais rápido, por precaução.”

Os futuros do café arábica na ICE estão no território positivo até o momento em março. Os futuros do petróleo, por outro lado, já caíram 50%, enquanto o índice de ações dos EUA Dow Jones tem queda de 15%.

A Europa e os Estados Unidos estão com dezenas de milhares de contêineres a menos disponíveis, uma vez que receberam apenas um pequeno volume de China durante meses de isolamento no país devido ao coronavírus, enquanto outros remetentes também lidam com quarentenas que impactam portos e geram escassez de tripulantes.

“Os torrefadores e traders estão estocando porque antecipam interrupções no fornecimento”, disse um operador do mercado de café em Londres, que disse que grandes torrefadores estão comprando cargas à vista (spot). “Existem alguns pedidos que não consigo atender inteiramente.”

Demanda por café
Os preços no Brasil também estão perto de níveis recordes em termos locais, chegando a R$ 550 por saca de 60 kg. Os agricultores no país tendem a vender quando os preços ultrapassam os R$ 500 por saca.

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) disse que os embarques estão normais por enquanto, mas operadores de navios alertaram que pode haver falta de contêineres nos próximos meses, quando o Brasil pode colher uma safra recorde, de cerca de 70 milhões de sacas, segundo analistas independentes.

Além das preocupações de torrefadores, há relatos de que o vírus pode causar escassez de mão-de-obra, o que prejudicaria a colheita de café em regiões-chave como a América Central e do Sul, onde muitas fazendas de café ainda não foram mecanizadas.

“A colheita começará no final de abril, início de maio, e devemos nos preparar para uma alta probabilidade de que esse confinamento seja estendido além do dia 13”, disse Roberto Velez, chefe da federação de produtores da Colômbia.

O país andino iniciou uma quarentena nacional de 19 dias na semana passada. Embora agricultores e seus empregados estejam isentos de medidas de quarentena, será difícil transportar e abrigar cerca de 150.000 trabalhadores sob as condições sanitárias adequadas, disse ele. Com isso, também será difícil assegurar o processamento e envio dos grãos, acrescentou.

“Temos talvez um dos melhores preços da história”, afirmou Velez. “Mas, (mesmo) com esse preço, estamos enfrentando problemas logísticos, o coronavírus e medo”.

Exportação de soja do Brasil pode atingir recorde histórico em março, diz Anec

SÃO PAULO (Reuters) – A exportação de soja do Brasil em março pode atingir recorde histórico para todos os meses, caso se confirmem os volumes de embarques previstos para o período entre os dias 29 e 31, disse nesta terça-feira a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

No acumulado de março até o dia 28, as exportações de soja do Brasil somaram 11,5 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pela Anec, que ressaltou que as operações nos portos estão normais, apesar de preocupações logísticas relacionadas a medidas de combate ao coronavírus.

Os embarques de março do Brasil, o maior exportador mundial de soja, devem ajudar a aliviar uma escassez de matéria-prima na China, maior importadora global da oleaginosa, após as exportações brasileiras em fevereiro terem sido relativamente fracas.

O assistente-executivo da Anec, Lucas de Brito, lembrou que as exportações de fevereiro sofreram atrasos por chuvas intensas no Brasil, que paralisam os embarques, o que fez com que muitos despachos fossem transferidos para este mês.

Além disso, em março o setor pôde contar com um maior volume de soja, uma vez que a colheita começou tardiamente em 2020.

“Se acontecer o programado, se forem realizados os embarques… ou vai passar ou ficar muito próximo do recorde”, disse Brito, à Reuters.

Com base em programações de portos, a entidade projetou embarques de mais 1,6 milhão de toneladas nos três últimos dias do mês, o que levaria o total a 13,1 milhões de toneladas exportadas em março.

O recorde mensal da exportação de soja do Brasil é de aproximadamente 12,3 milhões de toneladas, registrado em maio de 2018, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A Anec disse ainda em nota que todos os portos operam normalmente, adotando as medidas de segurança estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para prevenção ao coronavírus.

As áreas portuárias também têm iniciativas para ampliar os cuidados preventivos ao Covid-19, após estivadores do porto de Santos ameaçarem, mais cedo neste mês, uma parada nas atividades.

A Anec afirmou ainda que o fornecimento de combustível está normalizado em todos os portos.

Apesar de a situação portuária estar normal, o setor tem se preocupado com a logística para escoar o produto até os portos, uma vez que caminhoneiros têm encontrado escassez de serviços nos postos das rodovias, como efeito das medidas restritivas ao comércio.

O fechamento de postos de serviços aos caminhoneiros tem elevado custos de transporte, já que muitos motoristas deixam de pegar viagens sem saber se encontrarão infraestrutura no caminho, segundo afirmação da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que representa o setor de soja.

A chinesa Cofco ecoou temores do setor, afirmando nesta terça-feira por meio de um executivo que sofreu efeitos de medidas para conter o coronavírus na sua unidade de biodiesel em Mato Grosso, e que avalia que a logística para o escoamento de produtos agrícolas é a questão de maior preocupação no momento.

Nesta terça-feira, a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) afirmou que a diminuição de caminhoneiros nas estradas, devido a dificuldades logísticas deflagradas pelas medidas para combater o coronavírus, tem sido um problema para o escoamento da safra, em processo de colheita no principal Estado produtor do país.

Outros setores do agronegócio têm feito reclamações na mesma linha, apesar de atividades agrícolas e de transporte de safras terem sido consideradas essenciais pelo governo federal, com o objetivo de afastar barreiras municipais e estaduais que acabam sendo um problema para a estrutura de escoamento.